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Indústria de cosméticos

Indústria de cosméticos resumida - toda vez que eu descubro algo diferente no meu corpo e aprendo a gostar daquilo, ela vai lá e me diz que é algo horrível que eu preciso corrigir.

 

Quando eu tinha uns 11 anos, engordei muito mais do que o normal para uma criança da minha idade. Isso, aliado ao crescimento, fizeram com que surgissem estrias em boa parte do meu corpo - coxas, braços, peitos, parte de trás dos meus joelhos. Mas como eu era jovem demais e não entendia direito o que aquelas marcas significavam, simplesmente aceitei que eram partes novas de mim. Cresci com a ideia de que me pertenciam, de que eram normais, de que sempre estiveram lá. 

 

Demorei muitos anos até que a sociedade me ensinasse o que eram estrias, e que eram coisas para serem desprezadas. Felizmente, não prestei atenção direito nessas suas lições - talvez porque não fizessem muito sentido pra mim (como algo que sempre foi parte de mim, que nunca fez mal à ninguém, poderia ser tão preocupante?), e continuei sem me importar muito. Mas e as pessoas que não são tão desligadas quanto eu? E as pessoas que realmente foram obrigadas a acreditar que partes importantes e belas delas devem ser, na verdade, motivo de vergonha?


Me preocupo com elas e torço com toda a minha alma para que sejam poupadas da escola do auto-desprezo. Eu sei que a sociedade é cruel, e eu, em pleno 2020, já estou cansada demais para achar que vai mudar no curto prazo. Mas, nos cercando das pessoas certas - que nos amam e acreditam em nós, independentemente das cicatrizes que carregamos nos nossos corpos, dentro e fora -, tenho esperança de que consigam encontrar paz em si mesmas, algum dia. 

 

Afinal, enquanto o ódio precisa ser ensinado, o amor vem naturalmente. 

 

 

🧁🧁🧁

 

 

Tweet não-relacionado do dia, já que estou emotiva e quero continuar falando de amor:

Me vestindo


Não é que eu nunca me importe com minha aparência. Só não considero importantes alguns detalhes, de vez em quando. Pensando sobre o assunto enquanto fazia a tirinha, cheguei à conclusão de que, mais que para as outras pessoas, eu me visto pra mim mesma. Escolho minhas roupas de acordo com o que elas vão fazer eu sentir. Confiante, profissional, desligada, descolada, feliz. Ou seja, se o figurino está fazendo eu me sentir poderosa, mesmo que a barra da saia esteja descosturada, vou usá-lo mesmo assim. Não me importo se para os outros vai ser esquisito. O que importa é eu tô pronta pra chutar traseiros por aí.





Hey, bolindos! A Bienal de Quadrinhos de Curitiba começa semana que vem no MuMA, e eu vou estar lá para perturbar meus amigos e leitores curitibanos favoritos, sim senhores! ​( ͡^ 3 ͡^)

Estarei todos os quatro dias de evento, 8 a 11 de setembro, na mesa de artista número 64. Além dos livros autografados, também estarão à venda comigo os bottons e pôsteres (alguns inéditos!) do Como eu realmente. Podem ir escolhendo os modelos deles neste link. E vejo vocês por lá! :D